Psicologia do Desenvolvimento


Psicologia – As Escolas do Pensamento


Considerada por muitos a ciência do nosso século, a Psicologia abrange todas as esferas da actividade humana. Os diversos paradigmas fornecem um corpo teórico à Psicologia, apresentando diversas concepções que se referem aos objectos, métodos e práticas cientificas. Um paradigma, modelo ou padrão é um modo reconhecido de pensar, no âmbito de uma disciplina científica, que fornece, por algum tempo, as perguntas e respostas essenciais aos pesquisadores.

 Esta grande variedade e diversidade de teorias é condição e resultado de uma ciência que tem por objecto o ser humano em toda a sua complexidade. O termo “escola de pensamento” refere-se a um grupo de psicólogos que se associam ideológica e, às vezes, geograficamente ao líder de um movimento. Em geral, os membros de uma escola de pensamento trabalham em problemas comuns e compartilham uma orientação teórica. São elas:

Psicologia Experimental

Estruturalismo/Associacionismo 

Wundt(1832-1920)/Weber(1801-1887)/Fechner (1832-1920)

 Wundt é considerado um dos pais da psicologia moderna experimental. Entre as contribuições que o fazem merecedor desse reconhecimento histórico estão criação do primeiro laboratório de psicologia no Instituto Experimental de Psicologia da Universidade de Leipzig (Lipsia) na Alemanha em 1879 e a publicação de Principles of Physiological Psychology / Princípios de Psicologia Fisiológica em 1873. 

Tanto para Wundt como para os seguidores do estruturalismo, as operações mentais resultam da organização de sensações elementares que se relacionam com a estrutura do sistema nervoso – concepção estruturalista.

Wundt apresenta os processos mentais conscientes como objecto de estudo e a introspecção controlada como método. Procura identificar os elementos básicos da consciência – as sensações. Ao sabermos o modo como se combinam as sensações, identificaremos a estrutura da actividade consciente. Daí esta concepção ser vulgarmente designada por associacionismo. Apesar de Wundt representar o ponto de partida da Psicologia científica, a sua concepção não rompe com a tradição introspectiva, muito próxima da Filosofia. 

Funcionalismo – William James (1820-1903)

 Os pesquisadores associados à fundação do funcionalismo não tinham a ambição de criar uma nova escola de Psicologia. Eles protestavam contra as limitações da Psicologia de Wundt e do estruturalismo de Titchener, mas não desejavam substitui-los.

 A Psicologia funcional, como o próprio nome indica, interessa-se pelo funcionamento da mente. Os funcionalistas estudavam a mente não do ponto de vista da sua composição (uma estrutura de elementos mentais), mas como um aglomerado de funções ou processos que levam a consequências práticas no mundo real. De facto, os funcionalistas adoptaram muitas das descobertas feitas nos laboratórios dos estruturalistas. Não faziam objecções à introspecção nem se opunham ao estudo experimental da consciência. A sua oposição voltava-se para as definições anteriores de Psicologia que eram desprovidas das considerações acerca das funções utilitárias e práticas da mente.

 William James foi o principal percursor da Psicologia funcional é considerado ainda hoje por muitos como o maior psicólogo americano. Ele afirma que “a Psicologia é a Ciência Da Vida Mental, tanto dos seus fenómenos como das suas condições” (James,1890). O termo “fenómenos” é usado para indicar que o objecto de estudo se encontra na experiência imediata, reconhece a consciência como sendo o ponto fulcral de grande interesse.

 James acredita que é possível investigar estados de consciência examinando a própria mente por meio da introspecção, sendo este o objecto e respectivo método de estudo.

 Uma das maiores contribuições de James foi a sua Teoria da Emoções. Supunha-se que a experiência subjectiva de um estado emocional precede a expressão ou a acção corporal física, por exemplo, se vemos um urso assustamo-nos e fugimos, logo o medo surge antes da reacção corporal de fuga. James inverte esta noção, afirmando que o despertar de uma resposta física precede o surgimento da emoção, especialmente nas emoções que designou de “mais rudes” como o medo, a raiva, a angústia e o amor. De acordo com James, no exemplo anterior, vemos o urso, fugimos, e então temos medo. Para validar a sua teoria, James recorreu à observação introspectiva de que, se as mudanças corporais como o aumento dos batimentos cardíacos, a aceleração da respiração e a tensão muscular não ocorressem, não haveria emoção.

Behaviorismo –Thordnike ( )Pavlov(1849-1936)Watson (1878-1958)

 Thorndike é um dos mais importantes pesquisadores no desenvolvimento da Psicologia animal. Acreditava que a Psicologia tem de estudar o comportamento e não os elementos mentais ou experiências conscientes de qualquer espécie.

 Thorndike criou uma abordagem experimental que designou de Conexionismo, pois concentrou-se nas conexões entre situações e respostas, e alegando que a aprendizagem não envolve uma reflexão consciente. As suas conclusões derivam das pesquisas que fez utilizando uma caixa-problema, em que um animal(gato) era colocado na caixa e tinha de aprender a operar uma alavanca para sair.

Link para a visualização do vídeo caixa-problema > http://www.youtube.com/watch?v=EP6GsED0Hmk

 Thorndike concluiu que tendências de resposta mal sucedidas (as que não faziam com que o gato saísse da caixa) iam sendo menos frequentes, enquanto que as respostas que levavam ao êxito eram incorporadas – Aprendizagem por Tentativa e Erro. Thordnike formulou leis numa tentativa de resposta a várias situações:

  • Lei do Efeito – incorporação ou redução de uma dada resposta “todo o acto que, numa dada situação, produz satisfação, fica associado a essa situação, de maneira que, quando a situação se repete, a acto tem mais probabilidade de se repetir do que antes. Inversamente, todo o acto que, numa dada situação, produz desconforto, torna-se dissociado dessa situação, de maneira que, quando a situação se repete, o acto tem menos probabilidade de se repetir do que antes”.
  • Lei do Exercício ou Lei do Uso e Desuso – “toda a resposta dada numa situação particular fica associada a essa situação. Quanto mais é usada na situação, tanto mais fortemente a resposta se associa com ela. Inversamente, o desuso prolongado da resposta tende a enfraquecer a associação”.

Pavlov e a Reflexologia

 Ao estudar as secreções gástricas, Pavlov descobre que para além dos reflexos inatos, se podem desenvolver, nos animais e seres humanos, reflexos aprendidos. No decorrer de uma experiência, apercebe-se que o cão salivava não só quando via o alimento – reflexo inato – mas também quando se davam outros sinais associados ao alimento, como o som de uma campainha – reflexo condicionado. Dedica-se a estudar profundamente a actividade nervosa superior. É no córtex cerebral que se vão formar, modificar e desaparecer os reflexos condicionados.

 Os reflexos – inatos e condicionados – seriam o fundamento das respostas dos indivíduos aos estímulos provenientes do meio.

Link para a experiência do cão, de Pavlov > http://www.youtube.com/watch?v=YhYZJL-Ni7U 

 Watson rompe com a concepção tradicional de Psicologia sendo considerado o pai da psicologia científica. Recorre ao método experimental para estudar o comportamento. O comportamento (behavior) é o conjunto de respostas observáveis a estímulos igualmente observáveis provenientes do meio. Somos totalmente condicionados pelo meio [R = f (S) – as respostas em função das situações]. Alterando as situações que condicionam o comportamento podemos modificá-lo. O estabelecimento de leis do comportamento resulta do estudo das variações das respostas em função da situação. O psicólogo, conhecendo o estímulo, deverá ser capaz de prever a resposta e se conhecer a resposta deverá poder identificar o estímulo. Watson considera que a existência de factores hereditários é irrelevante e que os factores do meio são determinantes no desenvolvimento da criança

Construtivismo Piaget (1886 -1980)

 Jean Piaget ficou conhecido pelo seu trabalho sobre o desenvolvimento mental na infância. Este psicólogo é apontado ao lado de Freud como responsável  pela alteração na concepção de  homem. Piaget também realizou investigações na Biologia, na Lógica e  na Epistemologia. A sua teoria do Construtivismo foi fundamental para a  condição dos jovens, incluindo estudantes. Se Piaget não tivesse formulado esse modelo explicativo do conhecimento ainda se tratavam as crianças como “adultos em miniatura”.

 O construtivismo é um modelo explicativo do conhecimento, pois tratase de uma teoria que se serve de outras teorias para se explicar. Este modelo explicativo do conhecimento serve-se da filosofia e da psicologia para explicitar a origem e o desenvolvimento da inteligência.

 Segundo Piaget, a inteligência é  o resultado de uma capacidade inerente ao ser humano de se adaptar a novas situações e realidades. A construção de novos hábitos por parte de uma criança acontece devido à realização de actividades que são repetidas para que a criança possa explorar o mundo à sua volta. Esta curiosidade nasce com a criança, por isso, às actividades por ela realizadas damos o nome de “actividades reflexas inatas”.

 Para o autor, o conhecimento acontece sempre que o sujeito interage com o meio. O meio é tudo o que é exterior ao sujeito, quer seja a Natureza, quer sejam ideias. Para Piaget, agir sobre um objecto, é conhecê-lo. O sujeito não nasce constituído, quer dizer, com estruturas cognitivas inatas. Vai-as construindo ao longo da sua vida, à medida que se vai desenvolvendo e contactando com o meio natural e socio-cultural. A interacção com este meio é constante, e vai-se alterando, o que provoca no sujeito um obrigatório esforço de adaptação para a sobrevivência. 

 Por outro lado, o construtivismo também utiliza a psicologia para explicar a origem e o desenvolvimento da inteligência. A psicologia, sendo o estudo do comportamento humano, tem várias áreas; uma das áreas mais importantes da psicologia para o construtivismo é a psicologia educacional.

 A psicologia da educação também tem uma abordagem no que toca à activação do desenvolvimento psicológico e no melhoramento dos percursos, de forma a que o sujeito possa atingir metas mais elevadas de maturação.

 Piaget estudou crianças desde que nascem até atingiram a maturidade. Estes níveis de maturação do sujeito enquanto criança foram divididos por Piaget, em  quatro estádios de desenvolvimento cognitivo – sensório-motor, pré-operatório, operações concretas e operações formais.

 O construtivismo é um modelo que defende uma construção progressiva da inteligência humana desde que se nasce até se atingir a maturidade. Este processo, é um processo de autoconstrução de estruturas cognitivas, através da interacção com a realidade, sendo estas estruturas cada vez mais estáveis e adaptáveis às novas realidades.

Gestaltismo

Köhler (1887-1967)Wertheimer (1880-1943)Kofka(1886-1909)

 A gestalt, ou Psicologia da forma, nasceu por oposição à Psicologia do século XIX, que tinha por objecto os estados de consciência. Köhler, Wertheimer e Kofka, criticam Wundt e a sua tentativa de decompor os processos mentais nos seus elementos mais simples. Os gestaltistas reagem contra esta concepção atomista e associacionista, invertendo o processo explicativo.

 O gestaltismo é uma corrente que deu um importante contributo na construção da Psicologia como ciência. Apesar de também estudar experiências conscientes vai-se demarcar da corrente associacionista, que defendia que a vida mental era constituída por elementos que se associavam. Opondo-se a esta concepção atomista e associacionista, postula que qualquer fenómeno psicológico é uma totalidade organizada, não redutível à soma dos elementos que a compõem, a percepção dos objectos é diferente da percepção do somatório dos elementos que o constituem. Percepcionados formas organizadas, totalidades – primeiro o todo que as partes. O gestaltismo considera o contexto em que ocorrem os fenómenos psicológicos (campo) fundamentais para a compreensão dos mesmos, e enfatiza os processos de organização mental.

Köhler e os seus companheiros vão desenvolver todo um conjunto de investigações baseadas na noção de gestalt, podendo ser traduzido para português por forma, mas também por organização, estrutura ou configuração.

 A teoria da gestalt considera a percepção como um todo, e parte deste todo para explicar as partes; enquanto que os associacionistas partiam das partes para explicar o todo.

 O todo é percebido antes das partes que o constituem. A forma corresponde à maneira como as partes estão dispostas no todo.

 O todo não é a soma das partes, na realidade, elas organizam-se segundo determinadas leis. Os elementos constitutivos de uma figura são agrupados espontaneamente e esta organização, segundo os gestaltistas, é inata. Wertheimer apresentou os princípios de organização perceptiva também por organização, estrutura ou configuração – Proximidade; Continuidade; Semelhança; Complementação; Simplicidade; Figura-Fundo.

 Tal como os outros movimentos que se opuseram a concepções mais antigas, a gestalt teve um efeito revigorante e estimulante sobre a Psicologia como um todo. O ponto de vista gestaltista influenciou as áreas da percepção e da aprendizagem e continua a estimular interesse, ao contrário do que aconteceu com o behaviorismo.   



O Fim da Vida

A Inevitabilidade da Morte

 “As crianças desconhecem-na, ingenuamente, por não terem consciência plena da condição humana. Os adolescentes ignoram-na, embriagados pela protecção ilusória que a juventude lhes proporciona. Os adultos vão-se vendo obrigados a ir lidando com ela sempre que os seus efeitos tropeçam nas suas vidas. E os idosos aprendem a ir aceitando, dia após dia, a sua inevitabilidade mais ou menos próxima. A morte é uma certeza cruel, fria, uma verdade que encerra um silêncio ensurdecedoramente infinito e que nos acompanha, sempre, ainda que a tentemos esconder, ainda que a tentemos atropelar com o ritmo frenético das nossas rotinas quotidianas. Como perceber, então, como aceitar, que seja esta mesma morte anunciada que garante a beleza única e singular à vida humana e que nos recorda, todos os dias, o privilégio que temos em acordar e em estar vivos?

  A morte e a sua natureza fatalista provocam no Homem um desequilíbrio constante que deriva da angústia de se conhecer o seu fim inevitável e nada poder fazer para o alterar ou evitar. Mas se o Início já faz parte do nosso passado, quando dele tomamos consciência, e o Final espera-nos irremediavelmente, caberá a cada um nós, enquanto indivíduos, definir e escolher aquele que será o seu “Durante”. Mais do que descobrir o sentido da vida como se de um segredo guarado a sete chaves se tratasse, talvez o Homem deva concentrar-se no caminho que decide ir desenhando na calçada do seu trajecto de vida. Um caminho que assuma sem reservas a tragédia da própria condição humana e que, com a mesma determinação e coragem, consiga reconhecer ao Amor, à Alegria e às emoções positivas, o poder de se restabelecer o equilíbrio existencial. Durante a construção desse percurso, acredito que poderemos contar com a companhia de uma outra grande certeza: a de que “nunca nos sentiremos sozinhos desde que a nossa preocupação seja o bem-estar dos outros” (António Damásio)

Opinião

  Pensar na morte, em cada uma das suas diferentes expressões, é uma tarefa a nível de construção de maturidade que todos deveríamos cumprir durante a nossa existência. A realidade da morte deve estar presente em todos nós, a todo o momento, não confundindo esta forma de experienciar o final como um acto frio e de puro masoquismo. Devemos pensar nela como um veículo que transporta todos os sentimentos que nutrimos por quem está em vida ou por quem nos deixou.

  Tudo tem um fim, tudo é sinónimo de efemeridade e quanto mais cedo tivermos consciência do quão inevitável é a própria morte, mais facilmente damos valor ao que temos e ao que sentimos em relação ao que nos rodeia. Ao acreditar que tudo vai perdurar, que tem prazo infinito de validade, é como se fosse quase garantido. Acomodamo-nos a essa ideia de pertença e começamos a esquecer e a deixar de valorizar aquilo que mais importa. Negar o inevitável, só nos vai tornar mais fracos na hora de enfrentar a situação. Frequentemente desconectamos a vida da própria morte, como se não pudessem conviver em conjunto. Hoje em dia o que as pessoas transmitem em relação a esse assunto, é que tem que esquecer que a morte existe para poderem viver em harmonia. Infeliz ou felizmente, os contos de fadas são isso mesmo – fábulas de encantar que não correspondem minimamente ao que é a realidade. 

  Vivemos numa fuga constante de algo que é tão natural como a própria vida, esquecendo que depois de morrermos, a vida  continuará a percorrer o seu caminho e a conquistar o universo. Sim, a  morte é incontornável, mas temos a possibilidade de celebrar, orgulhosamente, a continuidade da vida.


Erik Erikson e a Teoria Psicossocial do Desenvolvimento

  A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial de Erik Erikson centra-se no processo de desenvolvimento da identidade do Homem, sendo esta baseada na perspectiva freudiana em relação ao desenvolvimento da personalidade, essencialmente nos primeiros cinco estádios de desenvolvimento. Em relação à teoria de Freud, Erikson considerou alguns conceitos como a energia libidinal e do id da psicanálise clássica. Porém, este centrou a sua teoria na capacidade de adaptação do ego ao meio, ou seja, no contexto sociocultural. Erikson considerava o Homem como um ser social, que vive e interage com grupos sociais e que é pressionado e influenciado por  estes.

  Erikson propõe uma concepção de desenvolvimento em oito estádios psicossociais, perspectivados por sua vez em oito idades que decorrem desde o nascimento até à morte, pertencendo as quatro primeiras ao período de bebe e de infância, e as três últimas aos anos adultos e à velhice, cada estágio é atravessado por uma crise psicossocial entre uma vertente positiva e uma negativa. O autor dá especial importância ao período da adolescência, devido ao fato ser a transição entre a infância e a idade adulta, em que se verificam acontecimentos relevantes para a personalidade adulta.

 

Cada estádio contribui para a formação da personalidade total (princípio epigenético), sendo por isso todos importantes mesmo depois de se os atravessar.



Interpretação dos Sonhos

Freud, consciente da significação oculta das imagens do subconsciente, havia distinguido duas funções inerentes ao processo onírico: a identificação e displacement (deslocação ou transferência) – que se assemelham à metáfora e à metonímia. Freud considerou o sonho como expressão do subconsciente, i.e., uma projecção da interioridade para a exterioridade, que manifesta desejos reprimidos os quais, segundo Freud, têm uma função retrospectiva. Assim, rejeitou a visão profética da Antiguidade e da Idade Média. No entanto, Carl Gustav Jung, atribuiu ao sonho uma função prospectiva.

Embora as perspectivas psicológicas e filosóficas nem sempre tenham sido consensuais e tenham sofrido alterações e adaptações perante as ideologias e o pensamento vigente em cada período da história, assistiu-se sempre a uma tentativa de compreender e interpretar o processo onírico, estabelecendo a sua importância e a sua especificidade.

 E, sendo o sonho utilizado como um artifício ou recurso no texto literário, sendo ele próprio uma construção narrativa que se encaixa dentro de uma outra narrativa (o texto literário), tem-se procurado aplicar as perspectivas psicológicas e filosóficas directamente e de psicanalisar a literatura. Desde a publicação de Die Traumdeutung (A Interpretação dos Sonhos) de Freud em 1900 a psicologia moderna tem exercido uma profunda influência na crítica literária.

Um filme que marcou a minha adolescência, foi sem dúvida o filme de animação do realizador Richard Linklater, “Waking Life”(2001). Uma viagem de um jovem pelos seus sonhos, fá-lo encontrar uma série de personagens que se disponibilizam para lhe explicar os diferentes significados do universo onírico.

Deixo aqui o trailer, para os mais curiosos:


Freud e a Psicanálise

  A psicanálise caracteriza-se como uma corrente da Psicologia que busca o fundamento oculto dos comportamentos e dos processos mentais, com o objectivo de descobrir e resolver os conflitos intra-psíquicos geradores de sofrimento psíquico. Segundo Freud a nossa mente consciente não controla todos os nossos comportamentos, pois mesmo os nossos actos voluntários, resultantes de uma deliberação racional, estão dependentes de um fonte motivacional inconsciente. O inconsciente define-se como uma zona do psiquismo constituída por desejos, pulsões, tendências e recordações recalcadas, fundamentalmente de carácter sexual. Freud apresenta duas interpretações do psiquismo humano: a primeira e a segunda tópica.

  Na primeira tópica recorre à imagem do icebergue: o consciente corresponde à parte emersa, enquanto o inconsciente corresponde à parte submersa, do icebergue sendo por isso muito maior relativamente ao consciente. Os materiais inconscientes, que não são acessíveis através da auto-análise, tendem a tornar-se conscientes, no entanto este acesso às pulsões e desejos inconscientes é impedido pelo racalcamento. O recalcamento é um mecanismo de defesa que devolve ao inconsciente os materiais que procuram tornar-se conscientes. Tal como este mecanismo também existe o contrário: o pré consciente, que permite que alguns conteúdos do inconsciente acedam à consciência “disfarçados”, de modo a evitar distúrbios ao nível do consciente.

  Relativamente á estruturação do psiquismo, Freud apresentou três instâncias: id, ego, superego.

O id é a zona inconsciente, primitiva, a partir do qual se forma o ego e o superego; está desligado

do real, não se orientando por normas ou princípios morais sociais ou lógicos. É formado por instintos, impulsos

 orgânicos, desejos inconscientes e regido pelo princípio do prazer que exige satisfação imediata.

O ego é a zona fundamentalmente consciente, que se forma a partir do id e rege-se pelo princípio da realidade, ou seja, à necessidade de encontrar objectos que possam satisfazer o id sem transgredir as exigências do superego. Forma-se durante o primeiro ano de vida.

O ego tem vários mecanismos de defesa além do recalcamento, que são os seguintes:

Racionalização ou intelectualização – É um conjunto de estratégias de justificação de comportamentos, pensamentos, tendências psíquicas , lógicas, com o fim de evitar sentimentos de inferioridade que ponham em risco a auto-estima.

Projecção – Têndencia que os seres humanos têm para atribuir aos outros, comportamentos, sentimentos e desejos que, sendo deles próprios, são muitas vezes tidos como inaceitáveis.

Deslocamento – Mecanismo libertador que ocorre quando um indivíduo, não podendo atingir determinado objecto, o substitui por outro, sobre o qual descarrega as suas tensões acumuladas.

Regressão – Mecanismo segundo o qual o indivíduo adopta formas de conduta próprias de estádios anteriores de desenvolvimento em que o indivíduo se sentia em segurança.

Compensação ou formação reactiva – Mecanismo de defesa contra qualquer tipo de inferioridade fisiológica ou psicológica, seja ela real ou não, que consiste na adopção de comportamentos contrários ao desejo.

Sublimação – O sujeito substitui o fim ou o objecto das pulsões de modo que estas se possam manifestar em modalidades socialmente aceites.

O superego é a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão sexual. Manifesta-se na consciência indirectamente, sob a forma de moral, como um conjunto de interdições e deveres, e por meio da educação, pela produção do “eu ideal”, isto é, da pessoa moral, boa e virtuosa.


Envelhecimento

 

 Fala-se correntemente do envelhecimento como se tratando de um estado tendencialmente classificado de “terceira idade” ou ainda “quarta idade”. No entanto, o envelhecimento não é um estado, mas sim um processo de degradação progressiva e diferencial. Ele afecta todos os seres vivos e o seu termo natural é a morte do organismo. É, assim, impossível datar o seu começo, porque de acordo com o nível no qual ele se situa (biológico, psicológico ou sociológico), a sua velocidade e gravidade variam de indivíduo para indivíduo. Neste trabalho são abordados aspectos do envelhecimento humano como o envelhecimento e as sensações e percepções, as teorias do envelhecimento, as suas alterações neuroanatómicas, os seus efeitos no desempenho cognitivo, e os factores que influenciam esse mesmo envelhecimento, entre outros.

  Todo organismo multicelular possui um tempo limitado de vida e sofre mudanças fisiológicas com o passar do tempo. A vida de um organismo multicelular costuma ser div três fases: a fase de crescimento e desenvolvimento, a fase reprodutiva e a senescência,envelhecimento. Durante a primeira fase, ocorre o desenvolvimento e crescimento dos órgãos especializados, o organismo vai crescendo e adquirindo capacidades funcionais que o tornam apto a se reproduzir. A fase seguinte é caracterizada pela capacidade de reprodução do indivíduo, que garante a sobrevivência, perpetuação e evolução da própria espécie. A terceira fase,senescência, é caracterizada pelo declínio da capacidade funcional do organismo.  

  O envelhecimento não é um estado, mas sim um processo de degradação progressiva e diferencial. Ele afecta todos os seres vivos e o seu termo natural é a morte do organismo. É, assim, impossível datar o seu começo, porque de acordo com o nível no qual ele se situa (biológico, psicológico ou sociológico), a sua velocidade e gravidade variam de indivíduo para indivíduo. Assim, podemos dizer que os indivíduos envelhecem de formas muito diversas e, a este respeito, podemos falar de idade biológica, de idade social e de idade psicológica, que podem ser muito diferentes da idade cronológica (Fontaine, 2000).  

Idade biológica – está ligada ao envelhecimento orgânico. Cada órgão sofre modificações que diminuem o seu funcionamento durante a vida e a capacidade de auto-regulação torna-se bém menos eficaz. 

Idade social – refere-se ao papel, aos estatutos e aos hábitos da pessoa, relativamente aos outros membros da sociedade. Esta idade é fortemente determinada pela cultura e pela história de país.  

Idade psicológica – relaciona-se com as competências comportamentais que a pessoa pode mobilizar em resposta às mudanças do ambiente; inclui a inteligência, memória e motivação.  

 O envelhecimento é também uma questão demográfica. Falando do nosso país, Portugal está a tornar-se num país envelhecido. O peso dos idosos na estrutura populacional, tem vindo a aumentar de forma significativa, devido por um lado à diminuição dos nascimentos e por outro ao aumento da esperança de vida. Esta redefinição da estrutura etária diferentes implicações: exige políticas sociais que permitam fazer face à nova realidade e onde a saúde e o apoio social terão de ser redimensionados; em termos económicos leva a um esforço acrescido da segurança social, com o pagamento de reformas e também com os serviços especializados destinados a este grupo populacional.

O Envelhecimento Fisiológico

   Com o envelhecimento, ocorrem alterações de vários aspectos perceptíveis do organismo.

 O envelhecimento fisiológico compreende uma série de alterações nas funções orgânicas e  mentais devido exclusivamente aos efeitos da idade avançada sobre o organismo, fazendo com que o mesmo perca a capacidade de manter o equilíbrio homeostático e que todas as funções fisiológicas gradualmente comecem a declinar.

  O envelhecimento do ponto de vista fisiológico depende significativamente do estilo de vida que a pessoa assume desde a infância ou adolescência. O organismo envelhece como um todo, enquanto que os seus órgãos, tecidos, células e estruturas sub-celulares têm envelhecimentos diferenciados.

 Curiosidade:

Aqui fica um video de uma das mais conhecidas séries de animação, ” The Simpsons”, que resume a vida de Homer em 59 segundos, desde o nascimento até ao envelhecimento:


Controvérsia Hereditariedade vs Meio

A Psicologia sempre esteve dividida em dois grandes campos para explicar a personalidade do homem: a hereditariedade e o meio ambiente.

 

  Temos os olhos verdes da nossa mãe, e as sardas do nosso pai, mas onde fomos buscar o talento para cantar? Aprendemos através dos nossos progenitores ou foi pré-determinado pelos nossos genes? Embora seja claro que as características físicas são hereditárias, as águas genéticas tornam-se um pouco mais turvas quando se trata de um comportamento individual, inteligência e personalidade. Em última instância, o velho argumento da natureza versus genética nunca foi realmente ganho. Nós ainda não sabemos quanto do que somos é determinado pelo nosso DNA e quanto pela nossa experiência de vida, mas sabemos que ambos desempenham um papel.

Hereditariedade

   Podemos definir Hereditariedade, portanto, como o somatório de todas as características contidas no núcleo das células gaméticas, transmitidas a um indivíduo durante a fecundação. Podendo os descendentes ocultar ou manifestar as características herdadas, inscritas no material genético, mais precisamente pela expressão gênica dos cromossomos (molécula portadora dos caracteres biológicos de um ser vivo ou até mesmo um vírus).

Quando não expressa a característica, não significa dizer que foi apagado do genoma (conjunto de cromossomos de uma espécie), típico da população, ou seja, um indivíduo portador de um genótipo qualquer, mesmo tendo seu gene inactivo, transmite aos seus descendentes um fenótipo que ficou escondido na geração parental.

O Estudo da Hereditariedade Humana

  • O estudo das  árvores genealógicas foi utilizado durante muito tempo. Alguns investigadores têm analisado árvores cujos membros têm conhecidas capacidades  musicais. Ex: o compositor J. Sebastian Bach  A análise do ADN é uma técnica utilizada pela biologia molecular.
  • Os  estudos de gémeos são estudos comparativos que assumem duas formas ou modalidades – comparação entre as características psicológicas e os comportamentos de gémeos idênticos e de gémeos dizigóticos; comparação dessas características e comportamentos em gémeos idênticos educados separadamente.
  • O estudo de adopções é importante para se fazer comparações entre as características psicológicas das crianças adoptadas e as suas famílias biológicas e as famílias adoptivas.

A hereditariedade e a inteligência

  • Determinadas famílias, reuniam pessoas cujo trabalho reflectia um alto nível de inteligência.
  • Parentes mais próximos de indivíduos ilustres tinham tendência a ser mais bem sucedidos que os mais distantes Æ Inteligência é determinada pela hereditariedade
  • Relação entre QI e o nível socioeconómico, profissão dos pais, qualidade do meio familiar
  • Componente genética é um factor muito importante no desenvolvimento e capacidade intelectual.

  Os cientistas descobriram há anos que traços como a cor dos olhos e a cor do cabelo são determinados por genes específicos codificados em cada célula humana. Hoje em dia a Teoria da Natureza leva as coisas um passo adiante afirmando que os traços mais abstratos como a inteligência, personalidade, agressão e orientação sexual também são codificados no DNA de um indivíduo.

Influência do Meio

  O meio social – família, grupos e cultura a que se pertence – desempenha um papel determinante na construção da  personalidade. A personalidade forma-se num processo interactivo com os sistemas de vida que a envolvem: a família, a escola, o grupo de  pares, o trabalho, a comunidade…

  Uma personalidade é marcada por todo  o processo de socialização em que a família, sobretudo nos primeiros anos, assume um papel muito importante, pelas características e qualidade das  relações existentes e pelos estilos educativos.

   Na actualidade, embora não se ignore a existência da influência genética, os defensores da teoria da educação acreditam que, em última análise, a mesma isolada não tem grande relevância – que os nossos aspectos comportamentais têm apenas origem a fatores ambientais de nossa educação. Estudos sobre o comportamento infantil realçam a importância da influência do meio ambiente.

  • O Psicólogo americano John Watson, um forte defensor da educação ambiental, mais conhecido pelas suas experiências controversas com um jovem órfão de nome Albert, demonstrou que a aquisição de uma fobia pode ser explicada pelo condicionamento clássico. Em suas próprias palavras:

“Give me a dozen healthy infants, well-formed, and my own specified world to bring them up in and I’ll guarantee to take any one at random and train him to become any type of specialist I might select–doctor, lawyer, artist, merchant-chief, and, yes, even beggarman and thief, regardless of his talents, penchants, tendencies, abilities, vocations, and race of his ancestors. I am going beyond my facts and I admit it, but so have the advocates of the contrary and they have been doing it for many thousands of years.”

  • As primeiras experiências do psicólogo de Harvard BF Skinner, basearam-se no trabalho com pombos que desenvolveram a habilidade de dançar, fazer oitos, e jogar ténis. Hoje conhecido como o pai da ciência comportamental, finalmente conseguiu provar que o comportamento humano pode ser condicionado da mesma forma como acontece com os animais.
  • Um estudo na revista New Scientist sugere que sentido de humor é uma característica aprendida, influenciada pelo ambiente familiar e cultural, e não determinada geneticamente.
  • Se o ambiente não desempenhasse um papel importante na determinação de traços de um indivíduo e comportamentos, em seguida, os gémeos idênticos seriam, teoricamente, exactamente iguais em todos os aspectos, ainda que criados separados. Mas uma série de estudos demonstram que eles nunca são exactamente iguais, embora sejam muito semelhantes em muitos aspectos.

Interacção Hereditariedade e Meio

 Há quem defenda que o nosso desenvolvimento é influenciado sobretudo pelo meio, ou principalmente pela hereditariedade. Porém, a hereditariedade não pode exprimir-se sem um meio apropriado, assim como o meio não tem qualquer efeito sem o potencial genético.

  A forma como nos comportamos nasceu connosco, ou terá sido desenvolvida ao longo do tempo em resposta às nossas experiências?

 Pesquisadores envolvidos em ambas as teorias (hereditariedade vs meio) concordam que a ligação entre um gene e o comportamento não é o mesmo que “causa e efeito”. Enquanto um gene pode aumentar a probabilidade de nos comportarmos de uma maneira particular, não faz as pessoas actuarem, o que significa que continuamos a ter de escolher quem vamos ser quando crescermos.

  Por tudo  isto, podemos afirmar que a hereditariedade e o meio interagem, determinando o desenvolvimento orgânico, psicomotor, a linguagem, a inteligência, a afectividade, etc.


É possível ajustar o nosso relógio biológico?

Para quem julga que o relógio biológico se resumia ao instinto feminino da maternidade, ele pode ser bem mais complexo do que isso. 

O relógio toca às 6h da manhã. Hora de acordar e voltar para o trabalho depois de um mês de férias. Olhamos para o relógio e duas, três vezes a ver se a hora está certa, não acreditando que já é hora de levantar. Finalmente, levanta-mo-nos, pensando “mas eu ainda estou com tanto sono!”. O problema é que o relógio mecânico está certo, mas o nosso relógio biológico não.

 O termo relógio biológico é uma metáfora para uma parte do cérebro responsável pelo controle dos ritmos biológicos (chamados circadianos, que são ritmos com duração de 24 horas). É ele que regula os horários de dormir, acordar, comer e também outras atividades do corpo como esvaziar os intestinos e a bexiga e produzir hormônios como a melatonina, o cortisol e o hormônio do crescimento. 

 O relógio toca às 6h da manhã. Hora de acordar e voltar para o trabalho depois de um mês de férias. Olhamos para o relógio duas, três vezes para ver se a hora está certa, não acreditando que já é hora de levantar. Finalmente, levantamo-nos, pensando “mas eu ainda estou com tanto sono!”. O problema é que o relógio mecânico está certo, mas o nosso relógio biológico não.

 O termo relógio biológico é uma metáfora para uma parte do cérebro responsável pelo controle dos ritmos biológicos (chamados circadianos, que são ritmos com duração de 24 horas). É ele que regula os horários de dormir, acordar, comer e também outras atividades do corpo como esvaziar os intestinos e a bexiga e produzir hormônios como a melatonina, o cortisol e o hormônio do crescimento.

 Assim, se estávamos acostumados a dormir e acordar mais tarde durante as férias, o nosso organismo vai continuar seguindo o horário antigo, e vamos sentir mais dificuldade para acordar cedo, sonolência durante o dia e provavelmente não vamos ter sono na hora de deitar. É provável também que não sintamos fome na hora do almoço ou do jantar, por exemplo, se esses horários foram alterados durante as férias também. Essa falta de sincronia do relógio biológico também provoca insônia, alteração de humor e queda do rendimento físico e mental.

 É também por causa dele que mudanças bruscas de horário, como voltar ao trabalho ou às aulas depois das férias, mudança do horário de verão e viagens com troca de fuso horário, não são fáceis. Isso acontece porque o corpo se mantém no horário anterior, fazendo com que os relógios (o mecânico e o biológico) saiam de sincronia.

Luz e Exercício Físico

  Mas como qualquer relógio, o relógio biológico também pode ser ajustado. Naturalmente o corpo acostuma-se com as mudanças e o relógio biológico e adapta-se aos novos horários. Mas isso demora cerca de uma semana (algumas pessoas podem demorar mais tempo, ou menos) e é preciso manter uma rotina para que o organismo se acostume.

  Quem sofre para se adaptar às mudanças de horário, ou mesmo para acordar cedo ou dormir mais tarde, pode ajudar o seu relógio interno a ajustar-se. Alguns cientistas referem que a luz é o principal regulador do relógio biológico, e recomendam a exposição à luz solar como o melhor modo para ajustá-lo, assim como a prática do exercício físico para activar o sistema.


A Violência Infantil

A hereditariedade influi de algum modo na agressividade infantil, mas, sem dúvida, o meio é o mais perturbante. O que falta internamente à criança é a capacidade e a habilidade para lidar com esse ambiente que a deixa com raiva, com medo e insegurança.

A Grande Influência do Meio

· Família: membros familiares com traços anti-sociais de conduta (principalmente os pais), pais que não respeitam a autonomia dos filhos ou que são demasiadamente controladores ou que rotulam seus filhos como agressivos são factores familiares que induzem à agressividade infantil.

· Mídia: os meios de comunicação de massa têm dividido opiniões sobre a influência que exercem na criança. Podemos encontrar programas com imagens que chegam a requintes de perversidade. Os video-jogos bélicos, os desenhos animados violentos que fascinam as crianças também podem influenciar.

· Escolaridade: a escola também pode influir no desenvolvimento ou na prevenção de problemas de conduta; o pessoal da escola pode avisar aos familiares quando detecta problemas nas crianças; a escola pode proporcionar programas de estímulo de habilidades sociais, resolução de conflitos entre os alunos ou buscar outras soluções aos problemas de cada aluno.

· Condição Social: a maioria dos estudos procura relacionar o nível socioeconómico baixo com o desenvolvimento de problemas de conduta. Um desses estudos observou que a alta porcentagem de crianças agressivas de pouca idade pertencia a um nível social mais baixo. Deve-se ter em conta, além disso, que esses factores diferem de uma família para outra, de forma que nem todas as famílias pertencentes a uma classe social mais baixa se caracterizam pelos mesmos padrões de conduta.

Idealizações Filosóficas

A questão da grande influência que o meio exerce sobre a criança já vem sendo discutida há tempos. O filósofo francês Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), considerado o “descobridor da criança”, considera, juntamente com outros filósofos, que a bondade é a tendência natural e inata do homem, que só é pervertido pela civilização e pelas injustiças sociais decorrentes. Ou seja, o homem nasce bom, e a sociedade limita-se a corrompê-lo. 


Psicologia do Desenvolvimento

Uma pequena Introdução…

 Podemos definir Psicologia do Desenvolvimento, como a Psicologia que estuda o desenvolvimento do ser humano em todos os seus aspectos físico-motor, intelectual, afectivo-emocional, social – no seu ciclo completo de vida, desde o seu nascimento até à sua morte. Estudar o desenvolvimento humano, significa conhecer as características comuns de uma determinada faixa etária, permitindo-nos reconhecer as individualidades, o que nos torna mais aptos para a observação e interpretação dos comportamentos.

  Compreender as mudanças contínuas do ser humano operadas ao longo da vida e descobrir as razões dessas mudanças, tem constituído um desafio para a Psicologia, nomeadamente para os psicólogos do desenvolvimento. O conceito de desenvolvimento pressupõe assim uma sequência de alterações graduais que levam a uma maior complexidade no interior de um sistema ou organismo. Nesta evolução desenham-se estádios que seguem uma ordem praticamente imutável, variando o tempo de permanência de cada indivíduo em cada um deles.

  A psicologia do desenvolvimento é uma área especializada da Psicologia que só amadureceu no século XIX, devido aos estereótipos que se mantinham acerca do conceito de criança e da pouca importância que lhe era concedida, dando origem, ao longo dos anos, a uma espécie de revolução, no que diz respeito às grandes mudanças do ser humano e à forma como as encaramos.

   Na contemporaneidade, a Psicologia do Desenvolvimento aplica-se a várias áreas do nosso quotidiano, nomeadamente ao Desporto, à Educação, à Motricidade Humana, entre outras.