Psicologia do Desenvolvimento



O Fim da Vida

A Inevitabilidade da Morte

 “As crianças desconhecem-na, ingenuamente, por não terem consciência plena da condição humana. Os adolescentes ignoram-na, embriagados pela protecção ilusória que a juventude lhes proporciona. Os adultos vão-se vendo obrigados a ir lidando com ela sempre que os seus efeitos tropeçam nas suas vidas. E os idosos aprendem a ir aceitando, dia após dia, a sua inevitabilidade mais ou menos próxima. A morte é uma certeza cruel, fria, uma verdade que encerra um silêncio ensurdecedoramente infinito e que nos acompanha, sempre, ainda que a tentemos esconder, ainda que a tentemos atropelar com o ritmo frenético das nossas rotinas quotidianas. Como perceber, então, como aceitar, que seja esta mesma morte anunciada que garante a beleza única e singular à vida humana e que nos recorda, todos os dias, o privilégio que temos em acordar e em estar vivos?

  A morte e a sua natureza fatalista provocam no Homem um desequilíbrio constante que deriva da angústia de se conhecer o seu fim inevitável e nada poder fazer para o alterar ou evitar. Mas se o Início já faz parte do nosso passado, quando dele tomamos consciência, e o Final espera-nos irremediavelmente, caberá a cada um nós, enquanto indivíduos, definir e escolher aquele que será o seu “Durante”. Mais do que descobrir o sentido da vida como se de um segredo guarado a sete chaves se tratasse, talvez o Homem deva concentrar-se no caminho que decide ir desenhando na calçada do seu trajecto de vida. Um caminho que assuma sem reservas a tragédia da própria condição humana e que, com a mesma determinação e coragem, consiga reconhecer ao Amor, à Alegria e às emoções positivas, o poder de se restabelecer o equilíbrio existencial. Durante a construção desse percurso, acredito que poderemos contar com a companhia de uma outra grande certeza: a de que “nunca nos sentiremos sozinhos desde que a nossa preocupação seja o bem-estar dos outros” (António Damásio)

Opinião

  Pensar na morte, em cada uma das suas diferentes expressões, é uma tarefa a nível de construção de maturidade que todos deveríamos cumprir durante a nossa existência. A realidade da morte deve estar presente em todos nós, a todo o momento, não confundindo esta forma de experienciar o final como um acto frio e de puro masoquismo. Devemos pensar nela como um veículo que transporta todos os sentimentos que nutrimos por quem está em vida ou por quem nos deixou.

  Tudo tem um fim, tudo é sinónimo de efemeridade e quanto mais cedo tivermos consciência do quão inevitável é a própria morte, mais facilmente damos valor ao que temos e ao que sentimos em relação ao que nos rodeia. Ao acreditar que tudo vai perdurar, que tem prazo infinito de validade, é como se fosse quase garantido. Acomodamo-nos a essa ideia de pertença e começamos a esquecer e a deixar de valorizar aquilo que mais importa. Negar o inevitável, só nos vai tornar mais fracos na hora de enfrentar a situação. Frequentemente desconectamos a vida da própria morte, como se não pudessem conviver em conjunto. Hoje em dia o que as pessoas transmitem em relação a esse assunto, é que tem que esquecer que a morte existe para poderem viver em harmonia. Infeliz ou felizmente, os contos de fadas são isso mesmo – fábulas de encantar que não correspondem minimamente ao que é a realidade. 

  Vivemos numa fuga constante de algo que é tão natural como a própria vida, esquecendo que depois de morrermos, a vida  continuará a percorrer o seu caminho e a conquistar o universo. Sim, a  morte é incontornável, mas temos a possibilidade de celebrar, orgulhosamente, a continuidade da vida.


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