Psicologia do Desenvolvimento



Dilemas Morais

 Um dilema difere das histórias que se contam às crianças, onde o bem e o mal se contrapõem, o bom sempre surge como vencedor, onde a criança recebe a resposta pronta do adulto ou o adulto apresenta a solução mais correta.  

  Utilizando o método clínico, como Piaget, o pesquisador apresentava a cada sujeito um dilema de cada vez, solicitando–lhe que o julgasse e apresentasse justificativas para as escolhasou soluções. Entre os dilemas utilizados por Kohlberg, o mais amplamente divulgado é o seguinte:

“A esposa de um homem estava a morrer. Havia um remédio que a salvaria mas era muito caro e o farmacêutico que o inventara não vendia por preço mais baixo. O homem deveria roubá-lo para salvar a esposa?”

  Alguns dilemas morais são claros e simples enquanto outros são complexos e difíceis de serem respondidos.

  Outros exemplos:

O Comboio Descontrolado

 Um comboio vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre uma linha, mas tu tens a hipótese de evitar a tragédia accionando uma alavanca que leva o comboio para outra linha, onde ele atingirá apenas uma pessoa. Mudarias o trajecto, salvando as 5 e matando 1?

  Se respondeste sim, estás entre a maioria das pessoas (97%). Por algum motivo temos uma visão utilitarista do mundo. Pensamos que a atitude mais correcta é a que resulta na maior felicidade para o máximo número de pessoas. Mas há um senão. Por exemplo, se multiplicássemos por 1 milhão: matarias 1 milhão de pessoas para salvar 5 milhões? Decisões assim sustentaram diversos regimes totalitários que desgraçaram uma minoria em nome da maioria.

O Comboio Descontrolado – parte 2

  Imagine a mesma situação anterior: um comboio em alta velocidade irá atingir 5 trabalhadores desprevenidos. Agora, porém, há somente uma linha. O comboio pode ser parado por algum objecto pesado que seja atirado para a sua frente. Um homem com uma mochila muito grande está ao lado da via-férrea. Se tu o empurrares para a linha, o trem vai parar, salvando 5 pessoas, mas liquidando uma. Empurrarias o homem da mochila para a linha?

  Pela lógica, este dilema é o mesmo que o anterior. Continuamos a ter que trocar 1 vida por 5. Mesmo assim, a maioria das pessoas (75%) não empurraria o homem. O que acontece aqui é que preferiram não se envolver directamente na morte daquela pessoa. No caso anterior entendemos que ela morre por consequência do comboio e não porque nos envolvemos directamente empurrando-a para dentro da trilha. A nossa mente aceita matar o próximo de maneira indirecta (através de uma máquina ou ferramenta por exemplo) do que sujando as nossas próprias mãos. Nada muito nobre, diga-se de passagem.

Os limites da promessa

  Um amigo quer contar-te um segredo e pede para prometeres não contar a ninguém. Dás a tua palavra. Ele conta que atropelou um pedestre e, por isso, vai-se refugiar na casa de uma prima. Quando a polícia o procura querendo saber do teu amigo, o que é que tu fazes?

  Surpresa ou não: a resposta aqui varia de cultura para cultura. Os russos acusariam o amigo na hora. Os americanos protegeriam o amigo mentindo descaradamente e dando pistas erradas. Os brasileiros inventariam histórias malucas para dizer que a culpa não era do amigo e sim do pedestre, que era suicida.

  MORAL DA HISTÓRIA (literalmente…) – Saber que a moral muda de acordo com a cultura é importante para não julgarmos costumes de um povo como se fossem os nossos.


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: